domingo, 29 de abril de 2012

Tite pede atenção com pressão, mas alerta: 'Nosso problema é no campo'


Após ataques na Venezuela e no México, treinador diz que Corinthians está preparado para enfrentar a torcida equatoriana na quarta

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Tite do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr / Agência Estado)Tite se prepara para pressão no Equador
(Foto: Daniel Augusto Jr / Agência Estado)
Depois de ver pela televisão o Santos sofrer com a pressão da torcida do Bolívar, em La Paz, o Corinthians se prepara para seu calvário contra o Emelec, quarta-feira, às 21h50m (de Brasília), em Guayaquil, pela oitavas de final da Taça Libertadores. Apesar de já prever um certo incômodo vindo das arquibancadas, o técnico Tite tenta fazer a equipe pensar apenas na partida.
– Estamos atentos e preparados, até porque sofremos essa pressão contra Cruz-MEX e Deportivo Táchira-VEN. A equipe tem de estar concentrada para de do jogo. Um amigo que jogava comigo me falava: “quando eu estou com a redondinha, quem comanda sou eu. Não adianta gritar lá fora” – disse.
O Corinthians, aliás, teve problemas em dois dos três jogos que realizou fora do Brasil nesta Libertadores. Muitos objetos foram atirados para dentro do gramado nas partidas no México e na Venezuela, principalmente no retorno aos vestiários após a partida. Apesar dos incidentes, a Conmebol, organizadora do torneio, não puniu os clubes.
– Fora de campo é um problema da arbitragem, da segurança, da direção. O nosso problema é no campo – ressaltou.
O Timão enfrentará o Emelec no estádio George Capwell, com capacidade para 23 mil torcedores. As arquibancadas são muito próximas ao gramado, o que permite que os torcedores arremessem objetos para o campo com facilidade. Na última quarta-feira, Neymar, do Santos, foi atingido quando se dirigia para a cobrança de um escanteio.

'Gelado', Cássio ignora pressão e se inspira em algoz do rival Palmeiras


Goleiro mostra frieza para assumir a vaga, cita colombiano Córdoba como exemplo e não se incomoda com o apelido de Frankenstein no Timão

Cássio, goleiro do Corinthians, no treino (Foto: Ag. Estado)Cássio, o 'Frankenstein' do Timão (Foto: Ag.Estado)
As falhas e o descontrole emocional fizeram Julio Cesar perder a vaga no Corinthians após a eliminação do Campeonato Paulista contra a Ponte Preta. Agora, para o início do mata-mata da Taça Libertadores, o Timão aposta em uma “parede gelada” de 1,94m. Alçado de terceiro goleiro a titular com apenas um jogo pelo clube, Cássio tem a missão de acabar com a desconfiança sobre os jogadores da posição no Corinthians (o que já dura dez anos) e ajudar a manter o Alvinegro na briga pelo inédito título.
– Desde que cheguei, mesmo ficando como segundo ou terceiro goleiro, sempre me preparei para quando essa oportunidade acontecesse. É normal – disse, simples assim.
Mais do que suprir uma carência da equipe, Cássio busca um recomeço para a carreira que parecia ser promissora. Grande aposta da base do Grêmio e com convocações para base da Seleção Brasileira, o goleiro passou quase cinco anos escondido na reserva do PSV-HOL e se transformou em um desconhecido com apenas 24 anos.
– Aprendi muito, mesmo não tendo jogado tanto. Acabei voltando para um grande clube e estou tendo a minha chance. Não me arrependo de ter ido.
Sem se importar com o apelido de Frankenstein pelo jeito desengonçado e pela “beleza”, Cássio sonha cair nas graças da torcida. A inspiração para ser goleiro vem do colombiano Óscar Córdoba, algoz do arquirrival Palmeiras na decisão da Libertadores de 2000 contra o Boca Juniors-ARG.
– Eu sempre o admirei.
GLOBOESPORTE.COM: Como foi receber do Tite a notícia de que você é o novo titular do gol do Corinthians?
Cássio: Ele falou no treino que iria optar por um ou por outro (Danilo Fernandes) e depois acabou falando para o pessoal que eu iria jogar. Estou bem feliz por estar recebendo essa chance. É um jogo importantíssimo para nós, mas estou preparado para ajudar. Desde que cheguei, mesmo ficando como segundo ou terceiro goleiro, sempre me preparei para quando essa oportunidade acontecesse. É normal.
O cara que
vem para o Corinthians tem de saber da pressão e da crítica"
Cássio
Você chegou no início do ano quase como um desconhecido e fez apenas um jogo até agora. O que muda ganhar a vaga na equipe justamente no “mata-mata” do torneio que a torcida e a diretoria tanto sonham?
Estou bem tranquilo. Esse tempo que fiquei na Holanda me ajudou muito. Cresci muito como pessoa também. Estou pronto para os desafios. O cara que vem para o Corinthians tem de saber da pressão e da crítica. Então, procuro deixar isso um pouco de lado para me concentrar nos treinos e fazer um bom jogo.
Você despontou em 2007 como uma grande promessa do Grêmio e até da Seleção Brasileira, mas passou quase cinco anos aparecendo pouco no PSV-HOL. Essa mudança no início da carreira foi um erro?
Acho que não. Aprendi muito, mesmo não tendo jogado tanto. Acabei voltando para um grande clube e estou tendo a minha chance. Não me arrependo de ter ido. Passei por dificuldades que me fizeram crescer. Quando você toma uma decisão, não tem de ficar olhando para trás.
Mas você entende que sua carreira poderia estar em um outro estágio hoje?
Pode ser que sim. Mas naquela época eu tinha uma outra cabeça. Eu poderia ter ficado, não ido bem e seria esquecido. Fiz a escolha e não me arrependo. Estou bem feliz.
goleiro Oscar Cordoba (Foto: Agência Getty Images)Oscar Cordóba marcou época no Boca, foi algoz do
Palmeiras e inspirou Cássio (Foto: Getty Images)
Em qual jogador você se inspira?
Por incrível que pareça, sempre gostei de um goleiro que acabei vendo contra o Palmeiras, o Oscar Córdoba, do Boca Juniors-ARG. Ele pegou os pênaltis (na final da Taça Libertadores de 2000). Eu sempre o admirei.
Entrar na equipe nessa situação, depois de um goleiro falhar em um jogo decisivo, é pior? Você entende que também não pode cometer erros?
Eu não penso nisso. Penso em fazer um bom trabalho. Estou bem concentrado e não fico pensando que a bola pode vir e que vou falhar. Penso em fazer o melhor para o Corinthians conseguir seu objetivo, que é ser campeão da Libertadores.
O Tite está bastante preocupado com as jogadas pelo alto do Emelec-EQU. Você acredita que, com 1,94m, pode intimidar o adversário?
Consigo aproveitar bem a minha estatura na saída do gol. Sou alto, mas não lento. Acho que ajuda, é uma coisa boa. Não sei se assusta. Talvez, em uma dividida, eles não virão por causa do meu tamanho (risos).
Apesar de ter pouco tempo no clube, você já é motivo de piadas dos companheiros com o apelido de “Frank” em alusão ao Frankenstein. Isso incomoda?
Quando vim para o Corinthians, pensei: “Tomara que não tenha ninguém do Grêmio”. Mas, quando cheguei, encontrei o Alessandro, que jogou comigo lá. Esse era meu apelido desde a base do Grêmio. Eu levo numa boa. Lá, o pessoal só me conhecia por Frank, nem sabiam meu nome (risos).
Mas você concorda que o apelido condiz com sua “beleza”?
Não sei, aí é com os caras (jogadores). Eu não ligo. No Grêmio, até os diretores me chamavam assim. Não tem problema, não (risos).

MOLEQUE ATREVIDO', NEYMAR FAZ TRÊS, SANTOS BATE SÃO PAULO E VAI À FINAL


São Paulo1x3Santos
Com grande atuação, atacante desequilibra clássico bem disputado, dança, homenageia Juary e garante quarta final consecutiva do time no Paulistão

A CRÔNICA


A CRÔNICA
por Alexandre Lozetti
"Quem foi que falou que eu não sou um moleque atrevido?". A voz do sambista Jorge Aragão ecoou no saguão do Morumbi quando Neymar desceu do ônibus e caminhou para o vestiário. O craque ouvia e se inspirava. Tanta gente boa em campo, mas ninguém com seu poder de decisão. A vitória do Santos por 3 a 1 sobre o São Paulo, que resultou na classificação para a final do Campeonato Paulista, tem o carimbo de Neymar.
De um Neymar centenário. Mais que centenário. O gol 100, de pênalti, teve comemoração discreta. Sem dancinhas, sem tchu, sem tcha... Seriedade de um clássico muito bem jogado pelas equipes. No gol 101, homenagem a Juary, atacante dos anos 70 e 80 que viu sua marca ser exterminada pelo gol 102, marcado com a colaboração de Denis e festejado, aí sim, com o gingado da certeza da vaga.
"Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou". O verso da música também explica o Santos, na decisão pelo quarto ano consecutivo. Explica Neymar, que já chegou longe e parece não ter limites. E explica o São Paulo, que chegou aonde podia. Com bons jogadores, mas frágil defensivamente durante todo Paulistão, foi eliminado com boa atuação, mas sem um moleque tão atrevido assim.
O Santos vai a Campinas no próximo domingo para abrir a decisão contra Guarani ou Ponte Preta, que se enfrentam às 18h30 no Brinco de Ouro. Ao São Paulo, resta a Copa do Brasil. Na próxima quarta-feira, no Moisés Lucarelli, o time fará o primeiro jogo das oitavas de final contra a Ponte

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terça-feira, 24 de abril de 2012





tite corinthians   (Foto: Anderson Rodrigues/Globoesporte.com)Eliminado, Tite pede reforma no Paulistão 2013
(Foto: Anderson Rodrigues/Globoesporte.com)
A derrota para a Ponte Preta e a eliminação no Campeonato Paulista ainda doem no técnico Tite. Nesta terça-feira, reapresentação do elenco, o treinador recebeu no gramado a visita do presidente Mário Gobbi Filho. Entre as palavras de incentivo do dirigente, o treinador pediu para que a fórmula do torneio fosse alterada para a edição de 2013.
O Corinthians foi o primeiro colocado da fase de classificação, com 46 somados e apenas uma derrota. A Macaca terminou em oitavo, 18 pontos atrás, mas conseguiu passar pelo Timão com o triunfo por 3 a 2, no Pacaembu. Para Tite, as quartas e as semifinais precisam ser disputadas em confrontos de ida e volta.
– A fórmula tem de ser revista. Falei ao presidente para não deixar um jogo só. Deixa dois. Eu sabia que a Ponte era cobra criada – afirmou o treinador.
Apesar de o alvo agora ser a partida contra o Emelec, dia 2 de maio, no Equador, pelas oitavas de final da Taça Libertadores, Tite mostrou estar ainda bastante triste com a eliminação no Paulistão, torneio que no ano passado foi vice-campeão.
– Fiquei muito chateado. Fizemos um trabalho com 35 jogadores (34 no estadual) e duas competições com nível de exigência do cão, fazendo campanhas que p... Fizemos um mau primeiro tempo e ficamos fora do campeonato.
Inabalável no cargo após a eliminação, Tite ganhou o apoio da direção nesta terça. O presidente Mário Gobbi Filho e o diretor adjunto de futebol Duílio Monteiro Alves foram até o gramado para conversar com o comandante.
– O presidente tem uma coisa muito legal. Ele passa e fala: “quando ganhar, não vou aparecer. Só vou quando perder”. É a figura do comando quando há necessidade. Para mim, ele teria de estar nas duas. Mas é uma situação dele, pessoal.

Diretor rebate Adriano: 'O Corinthians não é prisão'


Roberto de Andrade defende trabalho feito pelo clube e diz que Imperador concordou com período de confinamento no CT Joaquim Grava



Roberto de Andrade no CT Dr. Joaquim Grava (Foto: Rodrigo Faber / Globoesporte.com)Roberto de Andrade, diretor de futebol do Timão
(Foto: Rodrigo Faber / Globoesporte.com)
As duras declarações de Adriano contra o Corinthians, em entrevista ao Fantástico, no último domingo, não foram aceitas pela diretoria do clube paulista. Apesar de entender que é melhor evitar mais polêmica sobre a demissão por justa causa do Imperador, a cúpula do futebol alvinegro não ficou em silêncio diante do ataque de Adriano e alegou que o jogador concordou com o período de confinamento no CT Joaquim Grava.
Com dificuldades para perder peso, o centroavante ficou concentrado na sede do departamento de futebol, no Parque Ecológico do Tietê, zona leste de São Paulo, para fazer tratamento e se alimentar corretamente. Adriano, contudo, disse que se sentiu humilhado com a medida.
– Você acha que se não fosse com o consentimento dele o Corinthians o colocaria no CT? Não é escravidão. Ele ficou porque quis ficar. Propusemos para ele melhorar, se alimentar melhor, fazer a parte clínica, e ele concordou. O Corinthians não é prisão. Ele só esqueceu desse detalhe: ele aceitou – afirmou o diretor de futebol Roberto de Andrade.
Se ele (Adriano) não gostou, paciência. Temos consciência de que fizemos o melhor possível"
Roberto de Andrade
Na entrevista, o Imperador atacou também o técnico Tite sobre o comportamento dele durante o processo de recuperação pela cirurgia no tendão do pé esquerdo. Segundo o atacante, o treinador conversou com ele apenas duas vezes no período em que foi jogador do Timão.
Roberto de Andrade defende não só o treinador, mas o trabalho feito pelo departamento médico e comissão técnica do Corinthians nos 11 meses em que Adriano permaneceu em São Paulo.
– Temos a certeza de que tudo foi bem feito, até além da conta. Se ele não gostou, paciência. Temos consciência de que fizemos o melhor possível. Todos fizeram o melhor de si – ressaltou.
Demitido por justa causa depois de ter faltado 67 vezes entre sessões de fisioterapia e treinamentos com o grupo, Adriano promete acionar o Corinthians na justiça para receber cerca de R$ 1,8 milhão que teria direito até o encerramento do contrato, no fim de junho. O Timão depositou na conta do atleta pouco mais de R$ 150 mil referentes à demissão.